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Manaus pode ter alcançado imunidade de rebanho contra Covid-19, diz estudo

Análise de amostras de sangue de doadores sugere que cerca de 66% da população já possui anticorpos contra o novo coronavírus

"Médicos em espaço destinado ao tratamento de pacientes com Covid-19 em Manaus: cidade enfrentou o colapso do sistema de saúde e pode estar mais perto de alcançar a imunidade de rebanho.| Foto: MICHAEL DANTAS/AFP
Um estudo preliminar publicado na plataforma medRxiv, nessa segunda-feira (21/9), indica que 66% dos habitantes de Manaus possuem anticorpos contra o novo coronavírus.

O trabalho sugere que a capital do Amazonas alcançou a chamada imunidade de rebanho – situação na qual grande parte da população já teve contato com o vírus e adquiriu proteção, o que faz com que a incidência da doença caia consideravelmente.


O estado do Amazonas foi um dos mais atingidos pelo coronavírus nos primeiros meses de pandemia no Brasil, com elevado número de casos e de mortes diárias.

Os pesquisadores investigaram a presença de anticorpos IgG (produzidos a partir do 14º dia do início dos sintomas e responsáveis pela chamada proteção de memória contra uma nova infecção) nas amostras de sangue de 6.316 pessoas de Manaus, coletadas entre 7 de fevereiro e 19 de agosto, na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas.

Nas últimas semanas do estudo, o percentual de pessoas com anticorpos variou entre 44% e 66%.

Os primeiros estudos feitos sobre a imunidade de rebanho para a Covid-19 indicavam que seria preciso que 60% da população adquirisse anticorpos para que a disseminação caísse consideravelmente. Em julho, levantamento das universidades de Estocolmo, na Suécia, e de Nottingham, no Reino Unido, afirmou que a porcentagem poderia ser menor, de cerca de 43%.


Pelos dados obtidos, Manaus se encaixaria nas duas hipóteses. No entanto, os próprios pesquisadores reconhecem limitações do trabalho, pois as amostras analisadas foram obtidas em bancos de sangue. Ou seja, representam um perfil específico de pessoas – as que se encaixam nos critérios de doadores – dentro da população.

Ainda sem publicação em revista científica, a pesquisa na capital do Amazonas foi conduzida por 34 cientistas de diversas instituições, como as universidades de São Paulo; de Oxford, no Reino Unido; de Harvard, nos Estados Unidos.

Com informações do portal Metrópoles